Testemunho do Poder de Deus

 

Dezembro de 1986. Morávamos em Pérola, Pr., e fomos passar o Natal com familiares em Maringá. Ficamos em casa de minha mãe, juntamente com outros da família. Nessa época nosso filho Eliel contava com 3,9anos, o Ariel com 2,9 e o Júnior com 1,4 anos. Voltávamos de um almoço com a família do meu marido no final da tarde, quando ouvi uma voz que me disse: “levanta o altar de Jó”. Após meditar, entendemos que Jó tinha levantado um altar onde oferecia sacrifícios pelos seus filhos após as festas. Algo aconteceria com nossos filhos.
Passamos parte da noite em vigília de oração e ficamos em jejum no dia seguinte (26). Era umas 9h, quando, com o coração apertado, fomos orar, meu marido e eu. Pedi uma palavra ao Senhor e abri no Salmo 121. Quando lia o verso 7, “O Senhor te guardará de todo mal”, novamente ouvi a voz do Senhor, que disse: “O mal virá, mas o Senhor livrará”. O Senhor não dizia que iria impedir o mal, mas que livraria quando o mal viesse.
No quintal da casa havia uma caixa grande com abelhas para cultivo de mel. Meu marido e eu fomos à casa da minha sogra e os meninos ficaram com os demais. Era umas 11h quando recebemos a terrível notícia: atingiram o enxame e as abelhas investiram sobre as crianças. Os maiores correram. Nossos três eram os menores e foram atingidos pelo enxame.
O mais velho levou 16 picadas de abelha oropa, o do meio levou 24 picadas e o mais novo, mais de 200 picadas. Quando minha mãe viu o pequeno, lançou-o dentro de um tanque com água para os insetos soltarem. Os ferrões ficaram alojados no corpinho dele. Quando chegamos, minha irmã Aparecida já havia corrido com ele para o Hospital Maringá, para onde também levamos os outros dois, bastante inchados.
Quando chegamos recebemos o triste diagnóstico: nosso pequeno teria vida somente até as 3h da tarde. Não teria como sobreviver. Ele estava deformado pelo inchaço, olhos saltados das órbitas, tremia muito, dores intensas. Ficamos com os três filhos num quarto, tremenda era a agonia. Mas eu me lembrava da promessa do Senhor: “O mal virá, mas o Senhor livrará”. Além dessa promessa, havia outra: o Senhor me falara que nossos filhos O serviriam e o mais novo era chamado para o pastoreio.
Todos dentro do quarto, o Júnior começou a ter convulsões fortes e desmaiar. O médico veio, disse que não poderia passar mais nenhum medicamento. Falou ao pai para levar os outros dois para casa, onde permaneceriam em observação, para que não vissem o que aconteceria com o irmãozinho. Em lágrimas meu marido orou com o mais novo, repreendendo as convulsões e foi embora com os outros. Graças a Deus, as convulsões cessaram. Notei que ele não falava, apenas gemia. Sua fala fora prejudicada.
Em seguida, ele foi acometido por uma febre fortíssima, tremia e desmaiava. Minha mãe chegou, trazendo uma vasilha com comida, mas eu estava em jejum e assim permaneceria durante toda a prova. Sem poder mais medicar, eu fazia compressas frias e com minha mãe orávamos. Pessoas passavam, entravam no quarto, diziam que era impossível que ele fosse recuperado. Familiares e amigos chegavam e diziam para entregar o menino, pois não havia o que fazer. A cada poucos minutos, enfermeiras vinham ver os sinais vitais, era muito grande a tensão. Mas continuamos orando. Fechamos a porta, mamãe e eu levantamos um clamor, de todo lado pessoas ligavam umas para as outras pedindo oração, foi um mover espiritual muito grande, aleluia. A febre cedeu, graças a Deus.
O tempo correndo, as 3h chegando, nosso menino foi invadido por caroços em todo seu corpo. Ficou horrível. Que dor! Ele gemia, mas era um guerreiro lutando pela vida. O médico novamente veio, disse que pior seria a alergia interna, que pararia seus órgãos, os rins, os pulmões, o coração. Disse que não havia mais nada a fazer. Novamente fechamos a porta, não permitimos que ninguém mais entrasse. Nós duas colocamos os rostos no chão, clamando ao Senhor por misericórdia. Daí o Senhor me deu uma visão: eu passava a mão esquerda dos pés à cabeça do menino, minha mãe passava a dela, eu passava a direita, ela também passava em seguida, repreendendo o mal; virávamos o menino de bruços e fazíamos o mesmo procedimento, agora da cabeça aos pés. Ordenávamos que o mal saísse e que o espírito da morte fosse embora. Fiz um voto que, se ele fosse curado, onde eu pregasse pela primeira vez, ali daria o testemunho.
Mamãe e eu procedemos conforme a visão e, quando terminamos, ordenando que todo veneno saísse daquele corpinho, o menino respirou fundo e desmaiou. Saí correndo chamar o médico, quando entramos no quarto o Júnior estava sem o inchaço, sentado na cama e estendeu os bracinhos para mim. O médico fez todos os exames, viram os sinais vitais, o menino estava curado, glórias a Deus! Daí então que ele me deixou retirar os ferrões das abelhas, contei mais de 200.
Mas faltava a prova dos rins, de que não havia mais veneno no organismo. O resultado do exame de urina somente chegou perto da meia-noite, graças a Deus, negativo. O médico, por quem sou sempre grata por sua dedicação e empenho, disse que um milagre havia acontecido. No outro dia, logo pela manhã meu marido veio nos encontrar, o menino estava andando pelos corredores do hospital, totalmente curado. O médico falou ao meu marido que fora um milagre de Deus. Nenhum sinal havia em sua pele. Nenhuma mancha.
O Júnior voltou a falar após os três anos de idade, porém com muita dificuldade. Passou muitas provações devido à sua fala. Sofria bullying por onde passava. Mas, como guerreiro do Senhor, adquiriu resiliência e tornou-se um modelo de superação para muitos.
O Senhor nosso Deus tem cumprido as promessas. O Júnior casou-se, hoje é Pastor, pregador da Palavra, trabalha com missões e, por onde passa, dá o testemunho desse grande poder e amor de Deus revelado em sua vida. Gratidão eterna ao nosso Pai Celeste, o Todo-Poderoso Deus!
 

Por Alaid S. Schimidt

Conselheira do J.E.M.